Lições de lógica para juristas (parte 6): o objeto da lógica

                                                                              Ricardo Dip

            Objeto define-se aquilo que está posto à frente de um sujeito, ou seja, é o termo a que se relaciona o ato de pensar. É o que se toma como oposto ao sujeito cognoscente.

            Todas as ciências têm um objeto, vale dizer, um termo com que se (e por qual aspecto) relaciona o sujeito que conhece. Distingue-se o objeto da ciência em formal e material; esta, o objeto material, é aquilo de que trata uma ciência. Assim, por exemplo, o objeto material da antropologia é o ente humano.

            Já o objeto formal de uma ciência é a perspectiva desde o qual ela estuda seu objeto material, e é pelo objeto formal que, muitas vezes, podemos distinguir várias ciências. Dessa maneira, o que distingue, de um lado, a antropologia, e, de outro, a anatomia humana, tendo ambas o mesmo objeto material, é o ponto de vista com que este último se conhece.

            A lógica, segundo uma dada distinção de aspectos, tem por objeto material as ideias, os juízos e os raciocínios −vale dizer, o pensamento em todo seu gênero; mas, expandindo-se seu conceito, vê-se que a lógica estuda a realidade toda como causa formal da verdade no intelecto e também estuda a linguagem, como um efeito da verdade no entendimento, ou seja, sua expressão ou exteriorização.

            O objeto formal da lógica é a ordem das relações das ideias, juízos e raciocínios. Pode dizer-se, em outras palavras, que a perspectiva da lógica está em examinar o pensamento humano, em si próprio, segundo as condições da consequência ou coerência da argumentação (o que é próprio da lógica formal ou menor) e as condições da verdade da mesma argumentação (propriamente objeto da lógica material ou maior).

            São coisas distintas, a consequência e a verdade. Aquela é a articulação ou estrutura do raciocínio, com independência de sua verdade. A argumentação:

•           Todo animal é vegetal.

            Todo vegetal é um ente que se locomove.

            Logo, todo animal é um ente que se locomove,

é uma argumentação consequente, embora não atenda à verdade.

            Também a verdade da conclusão de um raciocínio não depende de sua estrutura formal, mas da verdade de seus juízos. Veja-se este exemplo:

•           Todo animal é ente corpóreo.

            Todo elefante é ente corpóreo.

            Logo, todo elefante é animal,

conclusão verdadeira em uma estrutura discursiva não consequente.