Ricardo Dip
Três são, classicamente, os modos de saber: a definição, a divisão e a argumentação, e, já se tendo tratado da definição da lógica, passemos agora ao tema de sua divisão.
Tanto variem os critérios, tanto poderá classificar-se um conceito. Há quem divida a lógica, num primeiro critério, em lógica espontânea (ou natural) e lógica científica (ou artificial); pode dividir-se ela em seus períodos históricos, cabendo falar, então, em lógica antiga, lógica medieval, lógica moderna; alguns autores classificam-na por escolas de pensamento ou pensadores: lógica megárica, lógica estoica, lógica aristotélica, lógica kantiana, lógica hegeliana; pode falar-se em lógica clássica (aliás, expressão que tem mais de um significado) e em lógica simbólica. Et reliqua…
As divisões reportadas a autores ou a períodos históricos, sem deixar de ter muito interesse, podem levar ao risco de uma visão historicista, como se a lógica abdicasse da verdade.
Limitemo-nos aqui, já antes referida a lógica natural em contraste com a científica, a uma divisão clássica e que é das mais frequentadas nos teóricos da lógica, dividindo-a, num primeiro momento, em lógica formal e lógica material. Formal é a lógica que tem por objeto a consequência na argumentação. Material, a que estuda a verdade da argumentação.
Tanto uma, quanto outra, dividem-se na sequência, em três classes: a lógica das ideias (ou lógica dos termos, lógica dos conceitos), a lógica dos juízos (ou lógica das proposições) e a lógica dos raciocínios (ou lógica das argumentações).
Tenhamos em conta que a lógica tem por finalidade a boa ordem do raciocínio (raciocínio cujo produto é a argumentação), mas para melhor e mais facilmente estudar a estrutura do raciocínio e formular as regras do bem pensar, convém que a lógica se dedique tanto aos elementos próximos de todo raciocínio (que são os juízos, cujo produto é a proposição), quanto a seus elementos remotos, que são as ideias (ou conceitos mentais), cujo produto é o conceito objetivo ou termo objetivo.
Então, o que se estuda nessas partes da subdivisão da lógica quer formal, quer material, são as ideias e sua expressão, os juízos e sua manifestação, e o raciocínio e aquilo que o exprime (o silogismo).
Não pecaria aqui por excesso uma outra divisão que diz respeito à lógica geral, diversificada de uma lógica especial e cujo objeto são os métodos comuns a todas as ciências. Métodos comuns e não singulares, porque esses últimos são objeto das epistemologias das ciências.
Juan José Sanguineti denomina de lógica da ciência essa lógica especial, mas essa lógica da ciência não se confunde com a mais ampla noção de lógica científica. Sanguineti diz que a lógica especial da ciência estuda as três operações lógicas −a das ideias, a dos juízos e a dos raciocínios− desde o aspecto de sua incorporação ao conhecimento sistemático e causal próprio do saber científico: é a lógica para todas as ciências.
