Menos paranaenses estão endividados, mas inadimplentes concentram dívidas de maior valor, aponta pesquisa dos Cartórios de Protesto do Paraná

Menos paranaenses estão endividados, mas inadimplentes concentram dívidas de maior valor, aponta pesquisa dos Cartórios de Protesto do Paraná

Percentual caiu de 39% para 26% no primeiro semestre de 2026; levantamento também mostra que 62% dos paranaenses seguem sem reserva de emergência

O número de paranaenses que acumularam dívidas caiu no primeiro semestre de 2026, em relação ao mesmo período do ano passado. É o que revela a nova edição da pesquisa Retrato Econômico do Paraná, realizada pelo Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção Paraná (IEPTB/PR), entidade que representa os Cartórios de Protesto do estado.

O levantamento mostra que 26% dos entrevistados afirmaram ter acumulado dívidas nos primeiros seis meses de 2026, contra 39% no mesmo período de 2025. A redução coincide com a diminuição do desemprego entre os fatores apontados pelos entrevistados como causa do endividamento.

Apesar da queda no número de endividados, a pesquisa traz um alerta: as contas em atraso estão mais altas. Em 2025, a faixa de dívida mais frequente era entre R$500 e R$2 mil. Em 2026, a maior concentração passou para valores entre R$2 mil e R$5 mil, indicando que, embora haja menos endividados, quem permanece nessa condição enfrenta problemas financeiros mais graves.

Para o presidente do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção Paraná (IEPTB/PR), João Norberto França Gomes, os resultados demonstram uma melhora parcial do cenário econômico, mas exigem atenção.

“A redução de endividados é uma notícia positiva e mostra avanços na organização financeira das famílias. Ao mesmo tempo, dívidas elevadas tornam a recuperação mais complexa, o que reforça a importância da educação financeira”.

 

 

 

PANORAMA DAS DÍVIDAS

A pesquisa revelou pela primeira vez que, entre os inadimplentes, 32% possuem dívidas vencidas entre 30 e 90 dias, enquanto 22% acumulam débitos com atraso entre 91 e 180 dias.  Outros 19% não souberam informar há quanto tempo estão inadimplentes.

Entre aqueles que conseguiram estimar o período de atraso, 7 em cada 10 têm pendências financeiras concentradas nos primeiros seis meses de inadimplência. O período é considerado estratégico para ações de negociação e recuperação de crédito, uma vez que tendem a apresentar melhores resultados.

TIPOS DE DÍVIDAS

O cartão de crédito continua sendo o principal tipo de dívida dos paranaenses, citado por 30% dos entrevistados. Embora tenha registrado queda em relação aos 34% observados no mesmo período de 2025, permanece a principal fonte de desequilíbrio financeiro.

Na sequência, aparecem os empréstimos pessoais, responsáveis por 19% das dívidas, percentual superior ao registrado no ano anterior. O crediário e os carnês de lojas representam 11% dos casos.

“O crescimento dos empréstimos pessoais pode indicar uma migração de dívidas originalmente concentradas no cartão de crédito para modalidades de crédito com prazos mais longos, utilizadas para reorganização financeira ou renegociação de débitos anteriores”, destaca o presidente do Instituto de Protesto do Paraná.

 

MOTIVOS DA INADIMPLÊNCIA

Gastos imprevistos ou emergenciais aparecem, novamente, como a principal razão para o endividamento dos paranaenses. A pesquisa aponta que 36% dos entrevistados atribuíram as dívidas a despesas inesperadas, como problemas de saúde, manutenção de veículos ou outras emergências.

Já a falta de planejamento financeiro apresentou queda, passando de 28% para 20%. Em contrapartida, o consumo excessivo aumentou de 11% para 16%.

A pesquisa também apontou redução do desemprego como fator associado ao endividamento. Em 2025, 23% dos entrevistados atribuíam as dívidas à perda de renda ou ao desemprego. Em 2026, esse percentual caiu para 12%.

RENDA COMPROMETIDA

Entre os entrevistados que possuem dívidas, 36% afirmaram não saber estimar quanto da renda mensal está comprometida com o pagamento de débitos e prestações. Outros 23% disseram destinar entre 11% e 30% da renda para essa finalidade, enquanto 17% comprometem de 31% a 50% dos rendimentos. Já 15% declararam não conseguir arcar com os pagamentos das dívidas, e 8% informaram que comprometem até 10% da renda mensal.

“Os dados mostram que muitos consumidores ainda têm dificuldade para mensurar o impacto das dívidas no orçamento familiar. O acompanhamento do orçamento é um passo importante para o planejamento financeiro e para a tomada de decisões mais conscientes sobre crédito e consumo”, avalia o presidente do Instituto de Protesto.

OBSTÁCULOS PARA REGULARIZAR A DÍVIDA

A renda insuficiente foi apontada por 35% dos entrevistados como o principal obstáculo para regularizar dívidas em atraso. Na sequência, aparecem os juros, multas e encargos elevados, citados por 19%, seguidos de outros motivos (18%). Já 9% mencionaram a ausência de propostas de negociação adequadas por parte dos credores, enquanto 7% afirmaram precisar priorizar despesas essenciais, como alimentação, aluguel e saúde.

 

ABERTOS À NEGOCIAÇÃO

A pesquisa reforça a efetividade do Protesto como instrumento de recuperação de crédito. Entre os entrevistados, 64% afirmaram que pagariam as dívidas caso fossem intimados pelos Cartórios de Protesto. Outros 73% disseram que aceitariam quitar os débitos mediante oferta de negociação pelo credor.

Os resultados mostram que a cobrança extrajudicial continua sendo um importante mecanismo para estimular acordos, reduzir a inadimplência e evitar a judicialização de conflitos. “A pesquisa demonstra que existe disposição para negociar e regularizar pendências financeiras. O Protesto atua justamente nesse ponto, aproximando credores e devedores e criando um ambiente mais seguro para a recuperação do crédito”, afirma João Norberto França Gomes.

RAIO-X DO ORÇAMENTO DOS PARANAENSES

PESANDO NO ORÇAMENTO

Os alimentos seguem como o principal item de peso no orçamento das famílias paranaenses, citados por 34% dos entrevistados. O percentual é inferior ao registrado no primeiro semestre de 2025, quando alcançava 41%.

PRINCIPAIS MEDOS FINANCEIROS

Perder o emprego ou ficar sem renda segue como o medo financeiro mais citado pelos paranaenses, mencionado por 27% dos entrevistados, mesmo percentual registrado no primeiro semestre de 2025. Em seguida, aparecem o receio de não ter poder aquisitivo  para adquirir itens essenciais (14%) e o medo de acumular dívidas impagáveis (13%). Já a preocupação com a necessidade de mudar o padrão de vida foi mencionada por 9% dos  entrevistados. O temor de ter que vender bens foi apontado por 6% dos participantes, enquanto 4% afirmaram temer o despejo por inadimplência no aluguel.

APOSTAS ONLINE

Embora o percentual de paranaenses que realizaram apostas online tenha recuado de 28% para 23% no primeiro semestre de 2026, cresceu o número de apostadores que utilizaram recursos originalmente destinados a outras finalidades para apostar. Entre aqueles que fizeram apostas, 50% afirmaram ter utilizado recursos que tinham outra destinação orçamentária, contra 36% registrados no mesmo período de 2025.

A pesquisa também mostra que metade dos entrevistados (50%) desconhece a plataforma do Governo Federal que permite o bloqueio voluntário do acesso a sites de apostas. Outros 43% afirmaram conhecer a ferramenta, mas nunca a utilizaram, enquanto apenas 7% disseram já ter recorrido ao serviço.

“Esse comportamento reforça a importância do acompanhamento contínuo  dos impactos das apostas sobre o orçamento das famílias e o potencial de agravamento do endividamento entre a parcela mais vulnerável da população", avalia o presidente do Instituto de Protesto do Paraná.

SEM RESERVA DE EMERGÊNCIA

A maior fragilidade financeira dos paranaenses continua sendo a ausência de uma reserva para imprevistos. Segundo o levantamento, 62% dos entrevistados afirmaram não possuir qualquer reserva de emergência, exatamente o mesmo percentual registrado em 2025.

O dado ajuda a explicar outro resultado da pesquisa: os gastos imprevistos continuam sendo o principal motivo para o endividamento. Entre aqueles que conseguem guardar dinheiro, 41% poupam apenas ocasionalmente e 33% realizam aportes mensais.

“A ausência dessa reserva ajuda a explicar por que as emergências continuam sendo a principal causa do endividamento. Quando surge um gasto inesperado, muitas famílias acabam recorrendo ao crédito, frequentemente em modalidades com juros elevados”, observa João Norberto França Gomes.

 

 

REDUÇÃO DE GASTOS

Mesmo com a melhora nos índices de endividamento, 46% dos entrevistados afirmaram ter reduzido gastos no primeiro semestre de 2026, contra 55% em 2025.

As principais economias ocorreram em despesas consideradas não essenciais. Os cortes mais frequentes foram em roupas, calçados e cosméticos (22%), restaurantes, bares e cinema (17%) e serviços de streaming (15%).

“Quase metade da população pesquisada ainda opera em modo de contenção financeira, priorizando despesas essenciais e reduzindo gastos considerados não prioritários”, comenta Gomes.

 

 

 

 

 

PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Mesmo que a poupança continue sendo a aplicação financeira preferida dos paranaenses, sua participação caiu de 64% para 41% entre aqueles que investem.

Ao mesmo tempo, produtos como CDBs, fundos de investimento, ações, previdência privada e criptomoedas registraram crescimento ou estabilidade, indicando uma diversificação gradual das estratégias de investimento adotadas pela população.

 

SOBRE A PESQUISA

O levantamento foi realizado em junho de 2026, visando compreender as condições econômico-financeiras dos paranaenses, especialmente no que se refere ao perfil de gastos e dívidas. Foram entrevistadas, presencialmente, 1.015 pessoas, por meio da aplicação de formulário, entre os dias 9 e 12 de junho de 2026, nas mesorregiões do Paraná, nomeadamente nas cidades de Campo Mourão, Cascavel, Cornélio Procópio, Curitiba, Francisco Beltrão, Guarapuava, Irati, Londrina, Ponta Grossa e Umuarama.

Os resultados obtidos foram comparados aos do mesmo período no ano passado, permitindo avaliar a evolução dos indicadores econômicos e financeiros da população paranaense.

SOBRE OS CARTÓRIOS DE PROTESTO DO PARANÁ

O Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – seção Paraná (IEPTB/PR) é uma instituição sem fins lucrativos, que constitui a entidade de classe que representa os 178 Cartórios de Protesto do Estado.

O IEPTB/PR tem como objetivo principal realizar pesquisa e estudos que contribuam para o desenvolvimento e aprimoramento das atividades relacionadas ao Protesto de Títulos e Documentos perante a sociedade.