Mulheres do Paraná ampliam seu protagonismo no extrajudicial paranaense e impulsionam iniciativas de transformação social

Mulheres do Paraná ampliam seu protagonismo no extrajudicial paranaense e impulsionam iniciativas de transformação social

Da titularidade das serventias à liderança de entidades representativas, mulheres fortalecem sua participação no setor notarial e registral e desenvolvem iniciativas que promovem inclusão, oportunidades e impacto social no Paraná.

A presença das mulheres no setor extrajudicial paranaense já faz parte da realidade dos cartórios. Elas estão à frente de serventias, participam da administração de entidades representativas, ocupam espaços de decisão e desenvolvem projetos que ultrapassam os limites da atividade cartorária.

Um levantamento divulgado pela Anoreg/PR em 2024 apontou que 434 mulheres já estavam à frente de serventias extrajudiciais no Paraná, enquanto 592 homens ocupavam a titularidade. Isso significa que, entre as unidades analisadas, as mulheres já respondiam por aproximadamente 42% das titularidades, colocando o Estado entre os que reuniam o maior número de mulheres titulares no país.

No Brasil, a presença feminina na administração dos cartórios extrajudiciais já se aproxima da masculina. Dados levantados no sistema Justiça Aberta, administrado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostram que 5.950 mulheres são titulares de Cartórios de Notas e de Registro no país, enquanto 6.193 homens ocupam essas funções. Em 67 casos, a informação sobre o gênero do titular não foi declarada.

A participação das mulheres pode ser percebida também nas entidades que representam os notários e registradores paranaenses. Na atual diretoria da Anoreg/PR, por exemplo, mulheres ocupam diferentes funções de liderança. Entre elas estão a 2ª vice-presidência, a tesouraria-geral e diretorias relacionadas às especialidades extrajudiciais.

A presença feminina também ganhou espaço na presidência da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Paraná (Anoreg/PR). Mônica Dalla Vecchia foi a primeira mulher a assumir o cargo e, posteriormente, Mariana Carvalho Pozenato Martins tornou-se a segunda, durante o biênio 2023–2025. Atualmente, Mônica ocupa a vice-presidência da entidade, mantendo sua participação na liderança institucional do extrajudicial paranaense.

“Ver as mulheres ocupando cada vez mais espaços no extrajudicial é resultado de uma transformação que vem acontecendo ao longo dos anos. Hoje, temos mulheres na titularidade das serventias, na gestão de entidades e na construção de projetos que contribuem para o desenvolvimento da atividade. Essa participação fortalece o setor e mostra a importância de ampliar, cada vez mais, os espaços de diálogo e liderança”, afirma a vice-presidente da Anoreg/PR. 

Esse trabalho foi reconhecido nacionalmente em 2024, quando Mariana recebeu a Medalha Ellas, distinção criada para homenagear mulheres que se destacam por sua atuação e contribuição para o fortalecimento da atividade notarial e registral. O reconhecimento faz parte do movimento ELLAS, iniciativa voltada à valorização da presença feminina no setor, ao incentivo à liderança e à promoção da equidade de gênero.

Ao ocupar o principal cargo executivo da entidade, ela passou a integrar a lista de mulheres que chegaram ao comando de organizações representativas de um setor historicamente marcado pela presença masculina em posições de liderança. 

Mais do que ocupar espaços

A presença feminina no extrajudicial também pode ser observada em projetos desenvolvidos por serventias e entidades em diferentes áreas, como responsabilidade social, capacitação, atendimento humanizado e enfrentamento à violência contra a mulher.

Há mulheres que chegaram à titularidade depois de anos de preparação. Outras construíram suas trajetórias dentro dos próprios cartórios. Algumas passaram a atuar em entidades de classe e assumiram funções de representação. E há aquelas que utilizam sua posição profissional para criar oportunidades para outras mulheres.

Um dos exemplos dessa atuação é o Projeto Cartório Acolhedor, idealizado por Nara Darliane Dors, diretora da Anoreg/PR, desenvolvido no Paraná para oferecer oportunidades profissionais a mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

A iniciativa reúne a Anoreg/PR, os Institutos Membros, o Tribunal de Justiça do Paraná, a Corregedoria da Justiça e a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar.

A proposta é utilizar a estrutura dos cartórios para oferecer oportunidades de trabalho, estágio e capacitação, contribuindo para a autonomia financeira dessas mulheres. O projeto começou como uma iniciativa-piloto na Região Metropolitana de Curitiba e, em 2026, avançou para uma nova etapa, com a participação de dezenas de serventias e a previsão de expansão para outras regiões do estado paranaense.

“Acredito que a participação das mulheres ganha ainda mais significado quando conseguimos transformar os espaços que ocupamos em oportunidades para outras mulheres. O extrajudicial tem uma estrutura muito presente na sociedade e pode contribuir para mudanças que vão além da atividade cartorária. É importante que essa presença feminina também se traduza em iniciativas, oportunidades e ações que gerem impacto”, explica Nara Darliane Dors, diretora da Anoreg/PR. 

Uma rede para fortalecer mulheres

Entre as iniciativas voltadas ao fortalecimento da participação feminina no setor está o Selo Cartório Mulher, criado pela Confederação Nacional de Notários e Registradores (CNR) para reconhecer serventias que adotam práticas de valorização e inclusão das mulheres no ambiente de trabalho.

A iniciativa busca dar visibilidade a cartórios que desenvolvem ações voltadas à equidade de gênero, diversidade e representatividade, estimulando a criação de ambientes profissionais mais inclusivos e com oportunidades para o desenvolvimento das mulheres.

O selo também integra as ações de divulgação e fomento do ELLAS, movimento que busca ampliar o debate sobre equidade de gênero no segmento extrajudicial e incentivar a adoção de boas práticas pelas serventias.

Com a necessidade de criar espaços de diálogo e troca, onde mulheres possam discutir novos projetos, iniciativas e ações voltadas ao fortalecimento da participação feminina no extrajudicial, foi desenvolvido também a Rede Mulheres do Extrajudicial (REME).

A proposta acompanha um movimento que já acontece em diferentes entidades: criar mais espaços para que mulheres compartilhem conhecimento, desenvolvam novas lideranças e tenham maior participação nas decisões do setor. No Paraná, a discussão sobre representatividade feminina também vem sendo incorporada a eventos, encontros e projetos institucionais.