A Associação dos Notários e Registradores do Paraná (Anoreg/PR) entrevistou a tabeliã e registradora civil de Bom Sucesso do Sul, Danieli Godoy, e o prefeito do município, Maico Faversani, para conhecer a realidade dos serviços extrajudiciais na cidade e compreender como a presença do cartório contribui para garantir o acesso da população aos direitos civis, fortalecer a segurança jurídica e atender às demandas da comunidade local.
O desenho institucional do Estado brasileiro prevê que o acesso a direitos civis básicos ocorra de forma descentralizada. Em municípios de pequeno porte, essa premissa se materializa na presença de serviços extrajudiciais locais.
No Sudoeste do Paraná, o município de Bom Sucesso do Sul exemplifica essa dinâmica, onde o atendimento público essencial é mantido por meio do Cartório Bom Sucesso do Sul - Tabelionato de Notas e Registro Civil das Pessoas Naturais, localizado na Avenida Padre Ivo Zolet, 762. A existência da estrutura evita o deslocamento de moradores para polos regionais e garante a formalização de atos jurídicos na própria comunidade.
Bom Sucesso do Sul está entre os municípios menos populosos do Paraná, com pouco mais de 3 mil habitantes. Para a tabeliã e registradora, Danieli Godoy, assumir a serventia foi uma das experiências mais gratificantes de sua trajetória profissional. "Em municípios pequenos, o cartório deixa de ser um estabelecimento e torna-se um ponto de apoio estratégico para a cidadania. O desafio aqui não é apenas geográfico, mas de democratização do acesso: a presença física da serventia evita que o morador precise se deslocar para centros maiores para resolver questões fundamentais. Meu papel, sempre observando estritamente os limites legais da minha atuação, é o de facilitadora, orientando o cidadão para que ele possa exercer seus direitos com clareza. Além disso, atuo como um elo entre o usuário, as demais serventias e até mesmo os órgãos públicos, organizando e filtrando demandas com eficiência. Encurtar essas distâncias e simplificar o acesso a direitos básicos reafirma o papel social e estratégico da serventia para o bem-estar de toda a comunidade."
Segundo dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Bom Sucesso do Sul possui uma população de 3.202 habitantes. O contingente demográfico posiciona a localidade na 362ª colocação em volume populacional entre os 399 municípios do Paraná. Com uma área territorial de aproximadamente 198 quilômetros quadrados, a densidade demográfica média é de 16,34 habitantes por quilômetro quadrado.
O município situa-se a 22 quilômetros de distância de Francisco Beltrão, centro econômico e administrativo da microrregião. A formação do núcleo urbano teve início em 1929, período em que o pioneiro José da Silva identificou uma fonte de água mineral nas proximidades do Rio Piracicaba. A atração de famílias para a região foi intensificada pela migração de populações oriundas do Rio Grande do Sul, com ascendência italiana, alemã e ucraniana. O território pertencia originalmente a Pato Branco, do qual foi desmembrado por força de lei estadual na década de 1990, resultando na instalação oficial do município em 1º de janeiro de 1993.
A base econômica local concentra-se no setor agropecuário, com destaque para a produção de soja, milho, avicultura de corte e pecuária leiteira. No aspecto social, os indicadores do IBGE registram uma taxa de escolarização de 100% para a faixa etária de 6 a 14 anos. A infraestrutura urbana dispõe de cobertura de saneamento básico e coleta de resíduos. O fluxo de visitantes na cidade é motivado por pontos como a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, o monumento Cristo de Luz e o Lago Municipal, que centralizam as atividades comunitárias e os eventos locais.
A descentralização dos serviços jurídicos estabelece que o registro de nascimento, casamento, óbito e a lavratura de atos notariais ocorram sem a necessidade de deslocamento interestadual ou intermunicipal. O Serviço Distrital de Bom Sucesso do Sul opera sob delegação pública e atua diretamente na regularização de contratos agrários, escrituras públicas de propriedades rurais e testamentos. A permanência do cartório na área urbana cumpre a função de registrar as alterações demográficas e as transações imobiliárias locais, servindo como base de dados para o histórico civil dos habitantes.
Segundo a tabeliã, atuar em uma cidade pequena permite uma proximidade singular. "Aqui, não atendo números de protocolo, mas pessoas que conheço pelo nome, pelo apelido, pela história e pela família; essa relação de confiança é o que sustenta o meu trabalho. Acompanhar o ciclo completo dessas trajetórias, celebrando a alegria de um nascimento ou de um casamento e, em outros momentos, vivenciando com as famílias situações de extrema fragilidade, como um divórcio ou um inventário, transforma o serviço técnico em uma missão.”
A gestão de uma serventia extrajudicial em municípios de pequeno porte envolve o contato direto com as demandas cotidianas da população residente. A tabeliã e registradora responde pela aplicação das normas jurídicas e pela orientação técnica aos usuários. Com a integração dos sistemas extrajudiciais a centrais eletrônicas nacionais, o estabelecimento em Bom Sucesso do Sul realiza a emissão de documentos e consultas de forma idêntica aos padrões adotados em capitais, utilizando ferramentas digitais para interligar os dados locais à rede de fiscalização e segurança do Poder Judiciário.
"A tecnologia não veio para substituir o atendimento presencial — que é a nossa essência —, mas para nos conferir a eficiência dos grandes centros. A integração eletrônica foi um divisor de águas: agilizou atos, eliminou trâmites morosos e conectou nossa pequena comunidade ao restante do país com rapidez. Além disso, essa modernização é um pilar da sustentabilidade. Além da agilidade, a tecnologia é fundamental para a saúde financeira da serventia. Com o aumento da eficiência, consigo investir na estrutura do cartório, em equipamentos melhores e no treinamento da equipe. Em última análise, a tecnologia e a gestão responsável andam juntas para que o serviço público prestado aqui seja digno, moderno e capaz de atender, com excelência, a cada pessoa que me procurar em Bom Sucesso do Sul."
A manutenção do atendimento na Avenida Padre Ivo Zolet confirma o critério de universalidade do acesso à justiça previsto na legislação nacional. A proximidade geográfica do posto de atendimento garante a execução imediata de atos de cidadania, o combate ao sub-registro civil e a validação de negócios jurídicos da economia rural. O funcionamento regular do cartório demonstra que a infraestrutura de identificação e segurança jurídica acompanha a divisão política do estado, assegurando direitos civis independentemente do adensamento populacional do município.

Papel dos cartórios no desenvolvimento do município
Bom Sucesso do Sul reúne atividades concentradas principalmente no agronegócio e na administração de serviços públicos básicos, com ações voltadas a infraestrutura, educação, saúde e habitação. Segundo o prefeito Maico Faversani, a organização do município está ligada à forma como a comunidade se estruturou ao longo dos anos, com base no trabalho rural e na presença de cooperativas e pequenas propriedades. “Bom Sucesso do Sul é um município que preserva suas raízes, marcada pela força dos imigrantes, pelo trabalho das famílias do campo e pelo espírito de união da comunidade. Esses valores continuam sendo a base do nosso desenvolvimento. Temos uma gestão comprometida com a qualidade dos serviços públicos, com investimentos em infraestrutura urbana e rural, educação e saúde. O que nos torna referência é justamente a capacidade de oferecer qualidade de vida, organização administrativa e atenção às necessidades da população, mesmo sendo um município de pequeno porte.”
No campo econômico, o prefeito aponta que o agronegócio segue como principal atividade, com participação de cooperativas e produtores rurais que sustentam parte da economia local. Além disso, há presença de empreendimentos industriais que atuam há mais tempo no município, como a Usina de Beneficiamento de Leite Bom Sucesso, que integra a cadeia produtiva regional. “Temos o agronegócio como principal motor da economia local, com a presença forte das principais cooperativas agrícolas da região, mas também temos um parque industrial em desenvolvimento, com empresas instaladas há mais de 20 anos, que são destaques na região como a Usina de Beneficiamento de Leite Bom Sucesso. Também contamos com atrativos turísticos e belezas naturais como nosso principal ponto turístico a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, com uma estrutura para visitantes, além do Lago Municipal e o monumento Cristo da Luz.”
Maico Faversani destaca que os serviços notariais e registrais são fundamentais para o funcionamento do município, especialmente por garantirem segurança jurídica, transparência e confiabilidade nos atos da vida civil da população.
“Os serviços notariais e registrais desempenham um papel fundamental, pois garantem segurança jurídica, transparência e confiabilidade nos mais diversos atos da vida civil. O acesso à documentação, registros e demais serviços é essencial para assegurar direitos à população, sem contar que estes serviços contribuem diretamente para o desenvolvimento local, pois dão suporte às atividades econômicas, à regularização de propriedades e aos investimentos, fortalecendo o ambiente de negócios e promovendo o crescimento organizado do município.”
