Corregedor nacional de Justiça encerra gestão com mais de 21 mil processos administrativos concluídos

Corregedor nacional de Justiça encerra gestão com mais de 21 mil processos administrativos concluídos

Ministro assume vice-presidência do Superior Tribunal de Justiça após balanço que contabilizou 27 inspeções e 65 provimentos editados no biênio.

O ministro Mauro Campbell Marques encerrou, nesta terça-feira (18), o mandato como corregedor nacional de Justiça durante a 12ª Sessão Ordinária de 2026 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A decisão de encerrar a gestão ocorreu no próprio Conselho, no fim do biênio 2024-2026, período em que Campbell conduziu ações de fiscalização e controle do Judiciário. A saída ocorre porque o ministro assumirá, nesta quarta-feira (19), a vice-presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Durante a despedida, Campbell apresentou um balanço das principais ações realizadas à frente da Corregedoria Nacional de Justiça. Segundo ele, a prioridade foi fortalecer os mecanismos de controle e de auditabilidade do Judiciário, com o objetivo de aprimorar as instituições e estabelecer parâmetros de atuação aplicáveis a toda a magistratura.

Ao longo dos dois anos de gestão, foram realizadas 27 inspeções, que resultaram em 713 pedidos de providência e 25 correições. Também foram instaurados 34 processos administrativos disciplinares (PADs), enquanto 22 magistrados e magistradas foram afastados de suas funções para a apuração de possíveis infrações funcionais. Campbell afirmou que o trabalho da Corregedoria não pode ser medido apenas pelos números. No período, mais de 22 mil novos processos administrativos chegaram ao órgão, enquanto mais de 21 mil foram encerrados. A gestão também editou 65 provimentos.

REGISTRO CIVIL E ATUAÇÃO SOCIAL

Entre as ações destacadas pelo ministro esteve o Programa Nacional de Registro Civil, "Registre-se!", voltado à população em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa recebeu mais de 225 mil solicitações de certidões e possibilitou a emissão de mais de 119 mil documentos, principalmente certidões de nascimento. Ao comentar sua atuação, Campbell defendeu que o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização também contribui para preservar a própria magistratura. Para o ministro, o respeito à categoria depende da capacidade das instituições de reconhecer problemas, desafios e eventuais desvios e de estabelecer regras comuns.

“A magistratura precisa ser respeitada e esse respeito se constrói pela capacidade de suas instituições de reconhecer seus dramas, problemas, desafios e desvios e de estabelecer parâmetros que sejam válidos para todos”, afirmou.

A cerimônia de despedida também contou com manifestações de integrantes do CNJ, representantes da advocacia, associações de magistrados e magistradas e da Procuradoria-Geral da República. O presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, destacou o dinamismo de Campbell e afirmou que sua atuação foi marcada pela disposição para implementar mudanças, aliada ao equilíbrio na condução das atividades.

 “Há nele uma energia permanente para fazer, construir, percorrer caminhos e transformar. Essa força marcou sua trajetória no CNJ e veio sempre acompanhada de um atributo ainda mais importante: o equilíbrio”, disse.  

Fachin também ressaltou a forma como Campbell conduziu a função correicional, destacando uma abordagem voltada à orientação e à prevenção. Segundo o presidente do CNJ, o corregedor buscou priorizar o diálogo e a atenção às pessoas antes da aplicação de medidas punitivas. Outro ponto mencionado foi a atuação de Campbell na discussão sobre a remuneração da magistratura, conduzida, segundo Fachin, com preocupação com a integridade do processo.

O presidente também citou o programa "Novos Caminhos", iniciativa que ampliou oportunidades de formação, autonomia e inserção profissional para adolescentes e jovens que vivem em acolhimento institucional.

Fonte: Juri News