MDHC realiza 12ª reunião do GT dos Comitês Gestores do Registro Civil

MDHC realiza 12ª reunião do GT dos Comitês Gestores do Registro Civil

Encontro inicia agenda de 2026 com foco na erradicação do sub-registro e na ampliação do acesso à documentação básica

Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) realizou, por meio da Coordenação-Geral de Promoção do Registro Civil de Nascimento (CGRCN/MDHC), da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (SNDH), nessa terça-feira (10), em Brasília, a 12ª Reunião do Grupo de Trabalho (GT) dos Comitês Gestores Estaduais de Erradicação do Sub-Registro Civil de Nascimento e Ampliação do Acesso à Documentação Básica.

O encontro, realizado de forma remota, marca o início das atividades do GT em 2026 e teve como objetivo promover o alinhamento técnico e a definição de linhas de ação comuns entre estados e municípios, com foco na universalização do Registro Civil de Nascimento e na ampliação do acesso à documentação básica, especialmente em territórios de maior vulnerabilidade social.

Para a secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos do MDHC, Élida Lauris, o encontro reforça seu papel estratégico na consolidação da política pública: "A realização da 12ª Reunião do GT marca o início das atividades de 2026 e reforça o Grupo de Trabalho como um espaço estratégico de articulação e troca técnica entre os diversos atores envolvidos na temática do sub-registro civil de nascimento, contribuindo para o fortalecimento das discussões e para a qualificação das ações desenvolvidas em âmbito nacional”.

Pesquisa

Durante a reunião, a promotora de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Viviane Alves Santos Silva, realizou palestra temática intitulada “A averiguação de paternidade sob a perspectiva da proteção integral de crianças e adolescentes”. Viviane é mestra em Políticas Públicas e Formação Humana (UERJ), professora da pós-graduação em Crianças, Adolescentes e Famílias do IERBB/MPRJ e autora do livro “A averiguação de paternidade em questão: por uma lente feminista e protetiva de crianças”.

Em sua apresentação, Viviane Silva ressaltou a importância de aproximar a pesquisa acadêmica da prática institucional, apresentando dados e reflexões construídas a partir de sua atuação na Promotoria de Justiça de Família, na Baixada Fluminense, em Mesquita (RJ): “É muito bom ter a oportunidade de trazer a pesquisa para o campo concreto e compartilhar essa reflexão com quem está na ponta”.

A representante do MPRJ também falou sobre o aumento proporcional de registros de nascimento sem o nome do pai, mesmo diante da queda no número total de nascimentos no contexto do Brasil, que compõe o cenário de sua pesquisa.

Outro destaque foi a necessidade de ouvir crianças e adolescentes nos procedimentos de averiguação, especialmente nos casos que envolvem menores entre 12 e 16 anos, aplicando-se o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): “O direito à filiação e à busca da origem é um direito, não um dever. A vontade da criança e do adolescente precisa ser considerada”.

Viviane também chamou atenção para a perspectiva de gênero envolvida no tema, destacando que a averiguação oficiosa de paternidade, quando conduzida de forma automática, pode se transformar em mecanismo de constrangimento às mulheres: “Descobrir vínculo biológico é, em última análise, investigar relações sexuais dessa mulher. Precisamos ter cuidado para que a proteção da criança não se dê atropelando os direitos das mulheres”.

Para a promotora, a proteção integral prevista na Constituição e no ECA exige abordagem equilibrada, que considere tanto o direito à identidade quanto o princípio da não estigmatização. Ela destacou ainda que a averbação de paternidade é gratuita para crianças e adolescentes, conforme alterações trazidas pelo Marco Legal da Primeira Infância, e defendeu que esse direito seja ampliado.

Encaminhamentos

Foi discutido o planejamento, a nível dos estados e capitais, acerca dos preparativos para a Semana Nacional do Registro Civil — Registre-se 2026, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que acontecerá na semana de 13 a 17 de abril, e também foi iniciada uma conversa sobre a frequência e a atuação dos Comitês Gestores Estaduais e Municipais (das capitais) no espaço do GT, bem como informes institucionais.

Atuação estratégica

A CGRCN atua na coordenação técnica e na articulação federativa dos Comitês Gestores, fortalecendo a governança da política pública em nível nacional e incentivando a criação, reativação e consolidação dos comitês como instâncias essenciais para garantir o direito ao nome, à identidade e à cidadania desde o nascimento.

Fonte: Agência Brasil