Registro de Imóveis em destaque no 8º Congresso Ibradim

Registro de Imóveis em destaque no 8º Congresso Ibradim

Patrocinado pelo Registro de Imóveis do Brasil, evento contou com participação de oficiais de diversas regiões do país nas mesas de debate

O maior evento nacional sobre Direito Imobiliário foi realizado em Salvador/BA nesta quinta e sexta-feira, 27 e 28 de agosto. O 8º Congresso Ibradim de Direito Imobiliário reuniu cerca de mil profissionais da área na capital baiana para debater os desafios e as inovações que estão moldando o futuro. Os impactos da revisão do Código Civil, detalhes sobre as convenções de condomínios, questões ligadas a loteamentos e muitos outros temas foram abordados por grandes especialistas, entre eles registradores de imóveis de diversas regiões do país.

No primeiro painel técnico do encontro, o oficial do 4º Registro de Imóveis de São Paulo/SP, Ivan Jacopetti do Lago, participou de um debate sobre a importância da concentração dos atos na matrícula dos imóveis. De acordo com o registrador, um dos principais problemas do atual sistema de transmissão de propriedades no país atualmente é o risco causado por dívidas de quem está vendendo. Isso porque, muitas vezes, quem adquire não tem meios de descobrir que essa dívida existe. "A ideia da concentração é proteger o adquirente, na medida em que inverte o paradigma. Se a pessoa que tem crédito contra quem alienou o bem levar seu direito a registro e o fizer conhecido, retira o ônus do adquirente", disse.

Durante a palestra, Ivan destacou que a ideia da concentração é que alguns atos que não são levados ao registro passam a produzir efeito também pela omissão. "Quer dizer, se eu tenho um conflito entre uma pessoa que pode levar o seu direito para o registro e não leva e outra pessoa que não tem meios de acessar essa informação, a lógica é que se deveria proteger a pessoa que não tem meios contra a omissão daquele que poderia ter feito e não fez", explicou.

Por fim, o registrador destacou a importância de se estar presente em um evento composto majoritariamente por advogados ligados ao Direito Imobiliário. "Nós, registradores, temos muito para contribuir com esse debate. Estamos ali no dia a dia das transmissões, dos empreendimentos, das aquisições", afirmou. Afinal, reforçou Ivan, a concentração só reforça os efeitos e a importância do registro, demonstrando para toda a sociedade o bem que o Registro de Imóveis pode fazer por ela.

Além do oficial, também participaram do debate o presidente da comissão de Contencioso Imobiliário do Ibradim, Umberto Bresolin, e os também advogados Alexandre Clápis e Carlos Onofre.

Atuação extrajudicial

A execução de casos de usucapião e de adjudicação compulsória de modo extrajudicial foi tema de outro painel que contou com a presença dos registradores de imóveis. A oficiala do Registro de Imóveis de Atibaia, Maria do Carmo Couto, que os advogados têm um papel fundamental na realização dos procedimentos. "O extrajudicial exige uma documentação e uma atuação do advogado mais proativa, porque ele tem que trazer o conjunto probatório mais elaborado para convencer o registrador para que o mérito seja a favor do cliente. Por isso, é importante que a gente sempre esteja discutindo sobre isso, para que os advogados saibam que podem, e devem, procurar o extrajudicial - que é mais célere do que o judicial", disse.

Maria do Carmo também deixa um alerta para os profissionais: é preciso ficarem atentos aos provimentos e exigências legais para evitar as notas de exigência e, assim, acelerar os processos. "O poder do Registro de Imóveis de dispensar algum documento é mitigado, não temos como dispensar requisitos que estão em lei. Então, os advogados precisam juntar toda a documentação e, com base na lei, montar o processo da forma mais completa possível para que o caminho seja mais célere", concluiu.

Também participaram da mesa de debates a tabeliã do 22º Tabelionado de Notas de São Paulo/SP, Ana Paula Frontini; o professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), William Santos Ferreira; e a advogada e diretora adjunta do Ibradim em Pernambuco, Luana Guedes.

Impactos do Provimento CNJ n.º 195

O terceiro painel que contou com a participação dos registradores trouxe detalhes sobre os impactos práticos do Provimento n.º 195/2025 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O oficial do 2º Registro de Imóveis de Campo Grande/MS, Juan Pablo Gossweiler, e o oficial do Registro de Imóveis de Pedreira/SP, Moacyr Petrocelli, falaram sobre as repercussões práticas do Provimento, que trouxe regulações com repercussão para todos os players do mercado imobiliário.

Moacyr destacou que muito do que o CNJ acabou regulando já era práticas nas serventias extrajudiciais, sendo importante para padronizar as práticas dos atos, e que isso facilita a atuação do advogado que milita perante o Registro de Imóveis. Mas ele indica um ponto de atenção para os profissionais: nas negociações de compra e venda, é essencial verificar a matricula do imóvel. "Os advogados devem fazer essa verificação antes de formalizar essas transações. Agir com cautela antecipa eventuais vícios e problemas que podem surgir na prática desse ato na matricula do imóvel", explicou.

O oficial também destacou a importância de os registradores imobiliários manterem um diálogo constante com os profissionais da advocacia. "Temos uma série de procedimentos extrajudiciais que contam com a presença do advogado e necessitam desse contato. Até porque eles têm um papel fundamental nesse movimento de extrajudicialização e de regularização imobiliária", finalizou.

IbradimCast

Durante o Congresso também foram gravadas oito edições do IbradimCast, programa do Instituto que aborda assuntos ligados ao universo do Direito Imobiliário, com a presença de profissionais de renome na área. Desses, dois programas contaram com a participação de registradores de imóveis.

O primeiro debateu os cuidados jurídicos relativos à aquisição de imóveis rurais e contou com a presença da oficiala do Registro de Imóveis de Mariana/MG, Ana Cristina Maia; do oficial do Registro de Imóveis de Luís Eduardo Guimarães/BA, Greg Valadares Barreto; e da oficiala do Registro de Imóveis de Miguelópolis/SP, Priscila Patah.

No programa, Greg explicou que a aquisição de um imóvel rural não é só uma simples aquisição jurídica, é uma aquisição fática e social, na qual deve ser verificado um plexo de situações relacionadas ao imóvel. "O Direito Imobiliário do dia a dia, aquele direito urbano, é bem conhecido. Mas o direito imobiliário rural não, com algumas obrigações diferentes", alerta. São os casos, por exemplo, da necessidade de se verificar o histórico registral para verificar possíveis conflitos fundiários, além de conferir questões ligadas a desmatamento irregular, ao Programa de Regularização Ambiental ou à certificação no Incra.

Ana Cristina, responsável por mediar o debate, reforçou que o programa buscou dar uma visão geral sobre os cuidados que a pessoa precisa ter ao adquirir esse tipo de imóvel, tanto na parte legal quanto na ambiental. "Existe uma normativa nacional, contida no Estatuto da Terra e em outras legislações, mas existem também alguns regramentos estaduais que envolvem questões objetivas de retificação de área. Então a gente tratou de todos esses assuntos na perspectiva dos três registradores presentes: um baiano, uma mineira e uma paulista. E foi bastante interessante", disse.

O segundo episódio contou com a presença da oficiala do Registro de Imóveis de Alagoinhas/BA, Karoline Sales. Em conjunto com os advogados Pedro Marino Bicudo e Kelly Durazzo, eles debateram sobre os erros mais comuns quando se trata de loteamentos e como evitá-los na prática.

Segundo a oficiala, os participantes abordaram diversos pontos relativos ao tema, mas o principal foi a necessidade e a importância de realizar um diagnóstico prévio da área. "Se isso for feito corretamente, por profissionais especializados, certamente o loteamento, que é naturalmente um processo mais complexo, terá maiores chances de receber o registro positivo no cartório sem nota devolutiva", explicou.

Karoline também reforçou a importância desse contato direto com os advogados que atuam na área imobiliária. "Oportunidades como essa de fortalecimento entre todos os atores que atuam no mercado é de suma importância, porque se pudermos dialogar com quem vai trabalhar na parte prévia do registro, acredito que conseguiremos maior índice de conformidade nos registros."

Fonte: RIB