Um grupo de 31 serventias extrajudiciais de Curitiba e Região Metropolitana de Curitiba passou a integrar um projeto que aposta em uma solução direta para um problema urgente: gerar emprego para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. A iniciativa faz parte do Cartório Acolhedor, programa que conecta mulheres em situação de vulnerabilidade a oportunidades reais de trabalho dentro dos próprios cartórios.
A proposta parte de uma constatação simples: sem renda, muitas mulheres não conseguem sair de situações de violência. A dependência financeira ainda é um dos principais fatores que mantêm vítimas dentro de ciclos de agressão.
Segundo a diretora da Anoreg/PR e responsável pela criação, Nara Darliane Dors, o projeto nasce justamente da necessidade de ir além do acolhimento institucional. “O Cartório Acolhedor foi pensado como uma ferramenta prática de transformação. A gente sabe que muitas mulheres conseguem chegar até a rede de proteção, mas encontram dificuldade para recomeçar. O emprego é o que permite essa mudança real, com autonomia e segurança”, afirma.
O Cartório Acolhedor foi desenvolvido pela Associação dos Notários e Registradores do Estado do Paraná (PR), em conjunto com seus institutos membros: Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Paraná, Colégio Notarial do Brasil - Seção Paraná, Instituto de Protesto de Títulos do Brasil, Registro de Títulos e Documentos e de Pessoas Jurídicas e Registro de Imóveis do Brasil - Seção Paraná, em parceria com a Corregedoria-Geral da Justiça do Estado do Paraná, o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná e a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar.
A ideia de utilizar os cartórios surgiu da própria estrutura do serviço extrajudicial no Paraná. Presentes em todos os municípios, essas unidades têm alcance direto na população e capacidade de interiorizar políticas públicas. “Os cartórios estão próximos das pessoas, fazem parte do dia a dia. Quando essa estrutura se coloca à disposição para gerar oportunidades, o impacto é imediato e muito concreto”, completa Nara.
Na prática, o funcionamento do projeto é simples. Tabeliães e registradores se cadastram voluntariamente em uma plataforma digital e passam a ofertar vagas em suas serventias. As oportunidades incluem funções como atendimento, atividades administrativas, apoio interno e serviços gerais, com possibilidade de contratação mesmo sem experiência prévia em cartório.
Por outro lado, mulheres que já passaram ou estão em atendimento pela rede de proteção podem se cadastrar no mesmo portal. Elas informam dados básicos, como escolaridade, disponibilidade de horário, cidades onde desejam trabalhar e formas seguras de contato.
A partir dessas informações, o sistema realiza o cruzamento entre vagas e perfis. As candidatas passam a visualizar oportunidades compatíveis e podem indicar interesse, enquanto os cartórios conseguem identificar perfis alinhados às suas necessidades e iniciar o contato para entrevistas.
Outro ponto central do projeto é a segurança. As informações das mulheres ficam restritas ao ambiente da plataforma e só são acessadas pelos responsáveis pelas vagas quando há compatibilidade. O contato também segue canais indicados pela própria candidata, garantindo mais proteção durante todo o processo.
Atualmente, o projeto está em fase piloto e reúne serventias em Curitiba e em municípios da Região Metropolitana, como São José dos Pinhais, Colombo, Pinhais, Araucária e Piraquara, além de outras cidades da região. A iniciativa também conta com o apoio da Casa da Mulher Brasileira, dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAMs) e da rede municipal de atendimento.
Para a diretora da Anoreg/PR, o diferencial do projeto está no impacto direto na vida das mulheres. “Quando um cartório oferece uma vaga, ele não está apenas preenchendo um posto de trabalho. Está ajudando uma mulher a sair de uma situação de violência e construir um novo caminho. Cada oportunidade pode representar uma mudança de vida”, diz.
Ainda em fase inicial, o Cartório Acolhedor deve ser ampliado para todo o estado nos próximos meses. A expectativa é aumentar o número de cartórios participantes e, consequentemente, o volume de vagas disponíveis.
Fonte: Assessoria de Comunicação da Anoreg/PR
